A resposta mais comum que se ouve em fóruns é "depende". E realmente depende, mas de variáveis objetivas que podem ser respondidas antes de abrir o Power Apps. Quando a escolha ainda está em aberto depois do diagnóstico, normalmente o problema não é "qual ferramenta", mas "qual escopo".
As diferenças que importam na prática
Canvas Apps
Canvas é um framework de tela livre. Você monta cada tela com controles e contêineres, conecta o app às fontes que quiser (SharePoint, SQL Server, Dataverse, APIs via conector personalizado; as três últimas pedem licença premium) e controla cada componente. A interface pode ser tão refinada quanto a de um app nativo ou tão ruim quanto um PowerPoint malfeito. A liberdade é o atrativo e a armadilha.
Model-driven Apps
Model-driven é a interface gerada a partir do modelo de dados (Dataverse). Você define tabelas, relacionamentos, formulários e exibições, e o Power Apps monta as telas. Menos controle visual, muito mais produtividade quando o aplicativo serve essencialmente para cadastrar, consultar e atualizar registros relacionados.
Matriz de decisão por critério
1. Fonte de dados
- Dataverse dominante (80% dos dados ou mais): Model-driven quase sempre.
- Várias fontes (SharePoint, SQL Server, APIs externas): Canvas.
- Dados em planilha Excel ou CSV: Canvas, mas reconsidere o modelo de dados antes de começar.
2. Perfil de interface esperado
- Interface de uso diário para back-office: Model-driven. A interface segue o padrão dos apps da Microsoft (listas, formulários, painéis), o que reduz treinamento; se a empresa já usa Dynamics 365, fica com a mesma cara.
- Fluxo específico com interface personalizada (por exemplo, inspeção de campo ou checklist no celular): Canvas.
- Interface para usuário externo: Power Pages, quando o público é amplo ou anônimo; Canvas App compartilhado com convidados do Microsoft Entra, quando são poucos parceiros identificados e licenciados. Model-driven não foi desenhado para isso.
3. Celular ou computador
- Uso predominante em campo, no celular: Canvas, com a tela pensada primeiro para o celular.
- Uso predominante no computador: Model-driven tem vantagem de produtividade.
- Ambos: Canvas responsivo, que exige mais tempo de implementação, ou Model-driven com páginas personalizadas (telas Canvas dentro do app) onde a interface precisa ser específica.
4. Volume de dados
- Poucos milhares de registros: ambos rodam bem.
- Dezenas de milhares de registros ou mais: Canvas exige consultas delegáveis e fonte indexada; Model-driven já pagina e filtra no servidor.
- Muitas tabelas relacionadas: Model-driven com Dataverse.
5. Governança e auditoria
- Requisito forte de trilha de auditoria (setor regulado, LGPD crítica): dados no Dataverse, com auditoria ligada por tabela. Vale para Model-driven e para Canvas sobre Dataverse.
- Controle fino de permissão por registro: Dataverse com funções de segurança e unidades de negócio, qualquer que seja o tipo de app.
- Pouca exigência regulatória: Canvas resolve bem, desde que o app grave o histórico de cada alteração em uma lista ou tabela própria.
6. Custo de licença
Model-driven exige Dataverse, e todo app sobre Dataverse (Canvas ou Model-driven) pede licença premium do Power Apps: por usuário, por app ou pagamento conforme o uso. Um app Canvas que usa só conectores padrão, como SharePoint e Excel, roda com as licenças do Microsoft 365. Em empresas sensíveis a custo, com 100 usuários ou mais, a economia acumulada de ficar em Canvas com SharePoint pode ser significativa, desde que o modelo de dados comporte.
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Agendar diagnóstico gratuitoCenários clássicos
CRM para equipe comercial interna
Model-driven. Dados relacionais, interface padronizada e auditoria do Dataverse.
Inspeção de qualidade em chão de fábrica
Canvas. Tela pensada para o celular, fotos e assinatura na tela; offline completo se os dados estiverem no Dataverse. Model-driven também roda offline, mas não atende bem uma interface tão específica.
Aprovação de despesas em vários níveis
Canvas com Power Automate para o fluxo de aprovação. Model-driven só se a empresa já tem o Dataverse padronizado.
Cadastro de fornecedores com validação por 3 setores
Model-driven. Tabela central, relacionamentos claros, regras de negócio para validar e funções de segurança para definir quem aprova em cada setor.
App de escala de turno para operadores
Canvas pensado para o celular. Model-driven seria estrutura demais para um uso pontual.
O que não considerar na decisão
- "Qual é mais moderno": ambos são suportados e evoluem. Modernidade não é critério técnico.
- "Canvas é mais fácil": só se você desenha bem. Interface ruim em Canvas é fácil de produzir.
- "Model-driven é mais profissional": muito aplicativo Model-driven parou em protótipo por excesso de rigor no modelo.
Canvas quando a interface diferencia. Model-driven quando o modelo de dados diferencia. A dúvida costuma vir de não ter decidido qual dos dois diferencia no seu caso.