A resposta mais comum que se ouve em fóruns é "depende". E realmente depende — mas depende de variáveis objetivas que podem ser respondidas antes de abrir o Power Apps. Quando a escolha ainda está em aberto depois do diagnóstico, normalmente o problema não é "qual ferramenta", mas "qual escopo".
As diferenças que importam na prática
Canvas Apps
Canvas é um framework de pintura livre. Você desenha a tela pixel a pixel, conecta aos dados que quiser (SharePoint, SQL, Dataverse, REST), e controla cada componente. A UX pode ser tão refinada quanto um app nativo — e tão ruim quanto um PowerPoint mal feito. A liberdade é o atrativo e a armadilha.
Model-driven Apps
Model-driven é UX gerada a partir do modelo de dados (Dataverse). Você define entidades, relacionamentos, formulários e views — e o Power Apps monta a interface. Menos controle visual, muito mais produtividade quando o aplicativo é essencialmente CRUD sobre um modelo relacional.
Matriz de decisão por critério
1. Fonte de dados
- Dataverse dominante (≥80% dos dados): Model-driven quase sempre.
- Múltiplas fontes (SharePoint, SQL, APIs externas): Canvas.
- Dados em planilha Excel/CSV: Canvas, mas reconsidere o modelo de dados antes de começar.
2. Perfil de UX esperado
- Interface de uso diário para back-office: Model-driven. Vai ficar padronizado com o resto do CRM da empresa.
- Fluxo específico com UX customizada (ex: inspeção de campo, checklist mobile): Canvas.
- Interface para usuário externo: Canvas com Power Pages. Model-driven não foi desenhado para isso.
3. Mobile vs desktop
- Uso predominante em campo/celular: Canvas, com design mobile-first.
- Uso predominante em desktop: Model-driven tem vantagem de produtividade.
- Ambos: Canvas responsivo, mas exige mais tempo de implementação.
4. Volume de usuários simultâneos
- Até 50 usuários recorrentes: ambos rodam bem.
- 100-500 usuários: Model-driven tem performance mais previsível.
- 500+ usuários corporativos: Model-driven com Dataverse ajustado.
5. Governança e auditoria
- Requisito forte de audit trail (regulado, LGPD crítico): Model-driven tem audit log nativo do Dataverse.
- Controle fino de permissão por linha: Model-driven com security roles.
- Pouca exigência regulatória: Canvas resolve bem se você logar manualmente.
6. Custo de licença
Model-driven exige Dataverse, que tem licença per-user premium. Canvas permite conectores standard com licenças mais econômicas (inclusive as incluídas no M365). Em empresas custo-sensíveis com ≥100 usuários, a economia acumulada de ficar em Canvas + SharePoint pode ser significativa — desde que o modelo de dados comporte.
Dúvida se é Canvas ou Model-driven no seu caso?
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Falar com a equipeCenários clássicos
CRM para equipe comercial interna
Model-driven. Dados relacionais, UX padronizada, audit nativo.
Inspeção de qualidade em chão de fábrica
Canvas. Mobile, offline, fotos, assinatura. Model-driven não atende bem UX específica.
Aprovação de despesas multi-nível
Canvas + Power Automate para o workflow. Model-driven só se a empresa já tem Dataverse padronizado.
Cadastro de fornecedores com validação por 3 setores
Model-driven. Entidade central, relacionamentos claros, validações por security role.
App de escala de turno para operadores
Canvas mobile-first. Model-driven seria sobre-engenharia para um uso point-in-time.
O que NÃO considerar na decisão
- "Qual é mais moderno": ambos são suportados e evoluem. Modernidade não é critério técnico.
- "Canvas é mais fácil": só se você desenha bem. UX ruim em Canvas é trivial de produzir.
- "Model-driven é mais profissional": muito aplicativo Model-driven parou em protótipo por excesso de rigor no modelo.
Canvas quando a interface diferencia. Model-driven quando o modelo de dados diferencia. A dúvida costuma vir de não ter decidido qual dos dois diferencia no seu caso.